4 MOTIVOS PARA VOCÊ NÃO TER DÓ DE TIRAR A CHUPETA

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4 MOTIVOS PARA VOCÊ NÃO TER DÓ DE TIRAR A CHUPETA

4 MOTIVOS PARA VOCÊ NÃO TER DÓ DE TIRAR A CHUPETA

Muita gente vem falar comigo sobre as dificuldades para tirar a chupeta, principalmente para dizer que sente dó porque a criança fica muito irritada e não consegue dormir.

Perguntas e relatos como:

  • “Gua, olha como estão os dentinhos dela?  Por favor me ajude, não sei mais o que fazer para ela largar a chupeta!”

* “Eu trabalho o dia inteiro e quando chego a noite estou muito cansada para ouvir o choro de meu filho. Ou eu sou enfermeira e trabalho a noite, ele dorme sempre com a avó. Durante o dia meu filho está na escola e não sei como vou fazer para tirar a chupeta, porque quando estou com ele tenho dó de fazê-lo sofrer. E ainda, ele parece tão pequenininho e eu tenho dó de tirar a chupeta.”

Bem, pensei muito sobre o assunto e tive uma grande sacada que, apesar de ser simples, muita gente ainda não consegue pensar assim.

Eu estou falando do seu papel enquanto mãe e/ou pai. A grande maioria das famílias tem dificuldade em impor limites e regras aos seus filhos. Alguns se sentem culpados por ter que ser mais duros e dizer um NÃO com letra maiúscula. E a criança (que não é nada boba!) vai percebendo as fraquezas emocionais dos pais e toma o controle da situação.

A sacada é que você precisa entender que não se educa uma criança sem “nãos”. A criança precisa saber “quem manda na relação entre pai/mãe e filho” para aprender a lidar com os desapontamentos, aprender a aceitar perdas e se preparar para o mundo aí afora.

Se você já disse o não e, devido ao choro excessivo acabou voltando atrás e cedendo, dois problemas podem estar ocorrendo aí:

  1. Seu filho já conhece suas fraquezas e sabe que se insistir um pouquinho você cederá. Nesse caso, cuidado, ele pode estar te controlando e isso não é bom para o desenvolvimento socio-emocional dele.
  2. Você tem dó e sente culpa por ter que dizer não para muitas coisas e, por esse motivo, acaba se perdendo no seu papel de educador principal, que é ser mãe ou pai.

Não tem jeito. Educar é uma tarefa extremamente complexa que, infelizmente (ou felizmente) não pode ser da maneira como a criança quer.

E você não pode ter dó de usar o “não” no dia a dia com o seu filho. Principalmente se é o caso da chupeta quando está chegando aos dois anos de idade. Não tenha dó de dar um basta.

Por isso hoje eu vim aqui lhe entregar 4 motivos para você não ter dó de tirar a chupeta e conseguir sucesso na sua decisão.

Vamos lá?

#1 – DESENVOLVIMENTO DOS OSSOS E MÚSCULOS DA FACE

Você já deve ter ouvido falar que a chupeta prejudica os dentes, a fala e a respiração.

O problema é que talvez você não tenha dado a devida importância para isso, não é verdade?

Então, de uma vez por todas, saiba que o crescimento craniofacial do seu filho está a todo vapor e a chupeta após os dois anos de idade é extremamente prejudicial para o perfeito desenvolvimento de ossos e músculos necessários para a mastigação, deglutição (ato de engolir) e sucção.

Eu, por exemplo, tenho dois filhos que utilizaram chupeta. A minha filha saiu da chupeta com dois anos de idade, juntamente com a fralda. Na verdade ela não suportava usar fraldas nem para dormir. Então quando ela deixou de usar fraldas, fomos conversando com ela, mostrando o quanto estava crescida, pois se já não precisava da fralda, a chupeta também não seria necessária. E assim foi. Aos dois anos ela não tinha mais fralda e nem chupeta. Foi sem traumas, mas não tão tranquilo, porque o mais difícil era à noite. Mas contávamos historinhas, cantávamos, fazíamos cafuné e ela muito incomodada e com sono acabava cedendo e dormia.

Já meu filho, antes mesmo dos dois anos começou a demonstrar arcada dentária aberta, ou seja, alteração dos dentes que fica uma abertura nos dentes da frente (dentes incisivos). Ele amava chupeta e tinha dificuldade para esquecê-la enquanto brincava. E acreditem ou não, ele ainda tinha uma naninha, que era uma coberta que a avó materna deu desde recém-nascido. Não tive dúvida. A chupeta o acalmava, mas estava prejudicando o seu desenvolvimento social (porque não queria brincar, apenas dormir para poder ficar com a chupeta), os dentes e estruturas musculares (foi o início da alteração, comecei a perceber ao escovar os dentinhos) e provavelmente atrapalharia a fala, pois com a chupeta na boca, a criança altera todos os pontos articulatórios e aprende errado. Só para ficar claro, eu também trabalhava o dia todo e foi muito difícil para ele, pois chorava, ficava muito irritado, por mais que conversássemos e contássemos historinhas, nada resolvia. Comecei a tirar aos poucos, com bom senso e nada foi abruptamente (do tipo hoje pode e amanha não pode mais). Mas tive que escondê-la durante o dia. Sim! Eu escondia, porque não havia outra opção. A noite eu já tirava da boca quando caia no sono, mas comecei a tirar e esconder naninha e chupeta. Para quem lê, parece trágico, mas a chupeta lembra a naninha e vice-versa. No meu caso não tinha outra maneira. Até que uma noite nós procuramos a chupeta e “não a encontramos”. Ele ficou muito bravo e com raiva de mim, mas em qualquer momento que eu decidisse tirar a chupeta seria assim. E fica aqui minha enorme observação sobre a diferença entre meninos e meninas. Ele dormiu abraçado a mim, chorando e acordou a noite todinha, com soluços. Tive dó, é lógico! Mas não desisti, pois voltar atrás e simplesmente encontrar a chupeta não resolveria um problema maior de desenvolvimento do meu filho. Foram três noites difíceis. Após esse processo, meu filho começou a comer melhor, a falar (porque era preguiçoso e só queria apontar e, sendo filho de Fono, você já viu, né?), seus dentes estão perfeitos e sua mastigação está corretíssima. Temos uma relação perfeita e maravilhosa. Foi a decisão certa.

Consegue entender a importância de retirar a chupeta até no máximo os dois anos de idade?

Há criança que com aproximadamente um aninho já apresenta respiração pela boca e muitas histórias de alergiasotites (dor de ouvido) e infecções de garganta. Nesses casos, a indicação é retirar a chupeta imediatamente, pois a probabilidade dessa criança tornar-se de fato respiradora oral é gigante. E obviamente, você nem imagina quantos prejuízos a respiração pela boca acarreta e talvez nem saiba que diminui a oxigenação cerebral e ocasiona déficit de atenção na escola.

Por esses motivos, pense que agir no tempo correto vai prevenir problemas como: assimetria facial, dentes mal posicionados, mastigação alterada (criança que faz muito barulho para comer), baba noturna, respiração oral, ronco e ranger de dentes, língua com postura errada (língua para fora da boca), entre outros.

#2 – DESENVOLVIMENTO DA FALA

O segundo motivo é sobre o desenvolvimento de fala. Quando me refiro a fala, estou considerando os sons, pontos articulatórios, encontros consonantais e “r” entre vogais.

No caso de uma criança que inicia as primeiras palavras com a chupeta na boca, ela adapta movimentos e aprende de maneira equivocada. É como se você tivesse que falar a palavra “fofura” ou “leite” com o dedo na boca.

Tenho certeza que você tentou falar assim! Isso mesmo! É impossível falar corretamente.

O mesmo ocorre quando a criança usa a chupeta após os dois anos de idade e os dentes já estão mal posicionados. Os sons da fala (fonemas) ficam alterados porque não há contato de dentes na frente para pronunciar um “s” de sapato, por exemplo.

Também ocorre da criança colocar a língua entre os dentes para falar “cebola”, “sacola” e outras palavras com o som de “S”. É o que chamamos de ceceio – as mães me procuram com queixa de parecer que o filho é mimadoinfantilizado e dengoso. Na maioria desses casos de ceceio, a deglutição (ato de engolir) também está alterada, pois a criança coloca a língua entre os dentes, levanta a cabeça e faz barulho quando o alimento ou líquido passa pela garganta.

#3 – DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM

O terceiro motivo para você não ter dó de tirar a chupeta é em relação ao repertório linguístico, a compreensão das palavras, os sinônimos, classificação, agrupamento. Saber contar um fato com começo, meio e fim, entre outros aspectos.

Quando a chupeta está na boca, basta a criança apontar e alguém já lhe entrega a água ou a bolacha. Se estiver ouvindo uma música, não consegue cantar. Fala pouco ou quase nada, porém se fala, está sempre com “algo” atrapalhando a fluência, articulação e expressões faciais.

Com a boca livre é possível começar e terminar o raciocínio, expressar linguisticamente o que incomoda ou o que deseja, sem a necessidade de apenas gestos e uma preocupação em não derrubar a chupeta.

Agora te convido a pensar friamente, como se não fosse a mãe ou o pai:

Você teria dó de possibilitar ao seu filho uma comunicação plena e sadia?

Ah! Eu também me sentiria orgulhosa por conseguir proporcionar um perfeito desenvolvimento de linguagem e o correto crescimento craniofacial.

#4 – TOMAR AS DECISÕES CORRETAS DEPENDEM EXCLUSIVAMENTE DE VOCÊ

O meu quarto e último motivo é aquele que reforça todo o seu esforço para não ter dó de tirar a chupeta no tempo correto.

Imagine se o seu filho tivesse maturidade para entender tudo o que a chupeta faz de negativo com a simetria e estética facial, com a mastigação, respiração, dentes, postura de língua, fala e linguagem, você acredita que mesmo assim ele ia querer usá-la?

Pois é! Tenho que te dizer que essa maturidade é sua. Apenas sua nesse momento.

Você é a mãe. Você é o pai.

você é o responsável por tantas coisas: pelo desenvolvimento ósseo, muscular, de fala, de linguagem, pela educação, pela formação… Durante a infância as escolhas são suas.

Por isso você não pode sentir dó de exercer o seu papel de pessoa responsável e madura. Aconselho-te a deixar a culpa de lado, assumir com determinação essa missão e encarar que é o melhor que pode fazer pelo seu filho.

Tenho certeza que agora vai ficar mais fácil pensar nessa coisinha chamada chupeta.

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Ficou alguma dúvida? Então entre em contato comigo através dos comentários ou pelas redes sociais. Espero que você tenha se inspirado com cada motivo que, apesar de simples, funcionam de verdade.

Desejo-lhe sucesso sempre, a gente se vê por aí!

Grande abraço.

Guaciara

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